sábado, 5 de janeiro de 2013

Não pode ser um dia comum



O Brasil é um país gigante, não apenas em tamanho e população, mas, também, na diversidade cultural de nosso território. Porém, há traços sociais que, acredito, apresentam-se, infelizmente, de forma praticamente uniforme, principalmente nas grandes cidades. Em Belo Horizonte não é diferente. Hoje, no finalzinho da manhã, do primeiro sábado de 2013, dois fatos que presenciei, no centro da cidade, chamaram minha atenção.

Primeiro, um mendigo abordou populares, inclusive eu, em um ponto de ônibus para pedir dinheiro. Poderia simplesmente ignorar, mas decidi observar a situação. No discurso, ele dizia algo sobre como é humilhante pedir esmola. Também contou que não imaginávamos como é triste e sofrível chegar ao inverno e não ter uma coberta pra se esquentar e, por isso, às vezes, recorre, sim, a uma pinga para amenizar a situação. Por fim, relatou que estava com crianças e pessoas impossibilitadas por questões de saúde e o dinheiro que daríamos seria apenas para comprar comida.


O segundo caso, um homem extremamente revoltado, provocava desordem no meio de uma das avenidas mais importante da cidade, a Afonso Pena. Aos gritos, conseguiu a atenção de quem passava pelo local. Ele jogou, enfurecidamente, uma caixa contendo vidro ao longo da avenida,  ao ponto da polícia precisar bloquear parte do transito no local. Após resistir, ele foi levado pelos policiais em direção à viatura.

São dois fatos que, devido à correria cotidiana ou, simplesmente, por ser “algo” comum, podem passar despercebidos nas principais cidades do país.  Mas, a pergunta que fica é: comum pra quem? Pra mim que não é! Mas para a maioria das pessoas sim, como se fossem casos isolados e descontextualizados. Na pior das hipóteses, eu realmente queria que fossem casos isolados, mas na verdade, escancaram o resultado da falta de investimento na educação, saúde, assistência social, entre outros.  

O mendigo que pedia dinheiro para comprar alimentos poderia ser o mesmo que jogou as garrafas de vidros que, com o dinheiro da esmola, ele poderia ter comprado álcool ou/e drogas e, sob tal efeito, provocado a confusão no meio da avenida. Eu não pensei assim, enfiei a mão no bolso e dei algumas moedas. Sei que minha atitude pode apenas “tampar o sol com a peneira”, pois não resolve os problemas estruturais do nosso país, mas no calor da situação senti um ar de veracidade e sofrimento do pobre homem. Se ele realmente vai usar o dinheiro para se alimentar, eu não sei! Mas sua necessidade de ajuda seria para agora, e acompanhando a falta de políticas públicas efetivas para reverter a situação, poderá ser o tempo mais que suficiente para sua família sentir frio no próximo inverno e até morrer de fome. 

quinta-feira, 1 de março de 2012

O nosso país vai bem de saúde?



O Ministério da Saúde divulgou neste começo de mês o resultado do IDSUS 2011 (Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde), indicador que varia de 0 a 10, a média do país foi 5,47. Segundo o Governo, a meta para os municípios brasileiros era nota 7,0, mas só 1,9% da população brasileira vive em cidades com nota superior.

O Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde é uma forma de avaliação criada pelo Governo para verificar, a cada três anos, o desempenho do atendimento de saúde nos municípios brasileiros. São levados em consideração o índice de acesso ao serviço (como proporção de internações de alta complexidade) e o índice de efetividade do atendimento recebido (como proporção de parto normal, cobertura vacinal da tetravalente, etc)

Entre os piores índices, destaque para o Rio de Janeiro, com nota 4,33; São Gonçalo (RJ), com 4,18; e algumas cidades pequenas do Norte e Nordeste que chegam a ter nota abaixo de 3. Já entre as melhores colocadas, as cidades se concentram no Sul e Sudeste, como Barueri (SP), com 8,2; Arco-Íris (SP), com 8,38; e Vitória (ES), com 7,08.


Que a qualidade do serviço público de saúde é péssima ninguém pode negar, mas mesmo as cidades bem colocadas apresentam uma realidade que contestam esses dados. Com a divulgação dos números, várias fontes de notícias procuraram esses municípios. Em Vitória, capital com melhor índice, usuários reclamam a respeito da espera, que passava de duas horas para alguns pacientes.

Então a pergunta é: Esse indicador é confiável? É a primeira vez que o IDSUS é usado, os próprios técnicos do governo reconhecem que existem melhorias a serem feitas para que o índice ofereça um recorte mais próximo da realidade. Um fato precisa ser destacado, o nível de satisfação do usuário do SUS e o tempo que um paciente leva para ser atendido não são levados em consideração.

Para o Estado, o índice dessa forma deve ser agradável, pois esconde as queixas comuns no serviço. Já para quem tem o SUS como única opção, os índices que perdem o valor, pois o descaso do Governo é sentido na pele, que é suficiente para se revoltar e duvidar do indicador.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Um delegado criminoso entre nós?

Acusado de homicídio em dois casos, o ex-deputado federal Francisco Tenório (PMN-AL) assumiu nessa quarta-feira (29) em Maceió o cargo de delegado-adjunto da delegacia de acidentes de trânsito da cidade. Ele foi beneficiado por um habeas corpus e terá que usar uma tornozeleira eletrônica e a obedecer a regras.

Um dia após deixar o cargo de deputado, o delegado foi preso em fevereiro de 2011 em Brasília, acusado de ser o mandante de dois assassinatos. Um ocorrido em Maceió em 1996, em que é acusado de ser o mandante da morte do cabo José Gonçalves, e outro em 2005, o assassinato de Cícero Sales Belém.

Durante o período em que esteve preso, ele recebeu salário como delegado da Polícia Civil. (imagem: folha.com)

O advogado Fábio Gomes, que representa o ex-deputado, afirmou que deve entrar com novo habeas corpus para que a obrigatoriedade da tornozeleira também seja revogada. Além do monitoramento via satélite, Tenório não tem permissão para deixar a capital alagoana e é obrigado a permanecer em sua casa no período das 20h até 6h. 

Parece brincadeira, o delegado que deveria perseguir infratores é ao mesmo tempo monitorado. Mas convenhamos, um delegado acusado de homicídios que continua ocupando um cargo desse pelo menos tem algum favorecimento e liberdade dentro da instituição. Na verdade, esse fato só escancara a rede de sujeira que pode estar por trás do ocorrido.

Enquanto isso, há exemplos de ex-detentos que mesmo após cumprir os crimes que cometeram sofrem preconceito para arrumar um trabalho, estudar, enfim, voltar ao convívio social. Mas, essas pessoas são cidadãos comuns, ou seja, pobres e sem influências. 

Que moral terá esse delegado diante de um infrator ao dizer, “você está preso!”? No mínimo um sujeito mais informado vai rir da cara dele. Mas quem vai rir mais disso tudo é o próprio delegado, que mesmo estando preso recebeu seu salário normalmente e agora continua sendo uma autoridade sobre os próprios cidadãos que se revoltam com o fato.


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Últimas informações sobre o caso (01/03/12)


A 17ª Vara Criminal de Maceió (AL) decidiu que o ex-deputado federal Francisco Tenório (PMN) não vai ocupar o posto. Mas, segundo o juiz Maurício Brêda, Tenório continuará a receber salário normalmente.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Após lutar 7 anos contra o transtorno esquizoafetivo, mulher de 48 anos é aprovada em vestibular

Aos 48 anos, Marlene Aparecida de Oliveira vai estudar economia na Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ). Marlene decidiu que era hora de voltar a estudar depois de lutar contra um tipo de transtorno psiquiátrico. “Foram sete anos, eu falava coisas que as pessoas não compreendiam.”, relembra a caloura.

“Era como se eu falasse uma língua que não dava para entender uma palavra”, disse Marlene. (imagem: G1)


O transtorno esquizoafetivo é uma doença de grave comprometimento cerebral, onde o paciente apresenta tanto a esquizofrenia como o distúrbio bipolar. Uma das limitações do transtorno é o déficit cognitivo, que pode comprometer o aprendizado. O portador pode apresentar quadro de perda de vontade e, por vezes, acaba sendo isolado no convívio social. A doença desafia a ciência, que pesquisa as prováveis causas e busca a cura.

No caso da Marlene, ela se viu obrigada a interromper a carreira de gerente de uma mineradora devido à doença. Ela afirmou que passou sete anos sendo chamada de maluca e que ainda costuma ser chamada. Após um longo processo, Marlene se tratou e driblou algumas limitações, com isso, decidiu realizar o sonho de fazer um curso superior, que vinha desde os tempos da adolescência. O empenho teve como recompensa a aprovação em 12º lugar no curso de economia da UFSJ.

Superação. Esta é a palavra que define o caso da Marlene. Ela venceu uma doença que tinha tudo para anular a possibilidade de realizar seu sonho. Ela poderia ter se deixado abater também pelo preconceito da idade, mas ela foi persistente e investiu em seus objetivos. O exemplo da futura economista serve para analisarmos nossas dificuldades, às vezes deixamos de fazer coisas simples por preguiça e comodismo, sem falar que estamos sempre reclamando de coisas fúteis. 

Nunca é tarde para voltar a estudar, o conhecimento é algo que ninguém pode roubar. Lutar para superar qualquer tipo de desafio só torna a recompensa mais grandiosa, e é uma forma de ocupar nossa mente com algo produtivo e prazeroso. Esta é a receita para driblar os desafios que nos impede de crescermos e sentirmos bem com o próximo e com nós mesmos. 


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Uma história lamentável


Tudo estava perfeito, sábado de carnaval, praia e a Grazielly, uma menina de 3 anos, brincava na areia ao lado da mãe em Bertioga, Litoral Norte de São Paulo. Porém, essa história não teve um final feliz, em uma fração de segundo um jet ski, pilotado por um adolescente de 13, a atinge. O jovem e sua família deixaram o local sem prestar qualquer tipo de socorro. Enquanto isso, o drama da Grazielly prossegue, ela aguardou 40 minutos por ajuda médica, mas não adiantou, ela faleceu.


Indiscutivelmente essa história é lamentável, ela provoca comoção e indignação na sociedade. Todos opinam mostrando sua tristeza e apontam os culpados. Na verdade, há tanta coisa envolvida que não dá para creditar a culpa em alguém/algo especificamente. 

Primeiro, o Estado, onde está a fiscalização proibindo que jet skis sejam conduzidos por menores de idade e sem habilitação. Sem falar que o atendimento médico necessário para tentar salvar a menina demorou 40 minutos decisivos. Onde está o responsável pelo jet ski? Creio que um adolescente de 13 não levaria e colocaria sozinho o veículo em funcionamento. Onde estão os pais do jovem que deixou o local do acidente sem prestar qualquer tipo de socorro ou apoio? E o piloto? Com 13 anos já se espera responsabilidade e cuidado. Por fim, chega-se à Grazielly, ela não é culpada por estar onde estava se divertindo, mas ela pagou caro por uma sequência de erros.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Um país que funciona só depois do carnaval?

Começa o ano novo, verão, férias para quem pode e enfim chega o carnaval. Há quem diga que o ano só começa, de fato, após o fim dessa sequência. Mas, quem vive assim? Você queria ter um ano mais “curto”?

 Se a primeira pergunta fosse feita em uma pesquisa popular certamente os políticos seriam citados em primeiro lugar. Realmente, o efetivo dos nossos representantes cai durante esse começo de ano, algo que nós brasileiros aceitamos sem grandes problemas. Exemplo dessa baixa participação política é o que disse o ex-jogador e deputado federal Romário (PSB-RJ), que viu de perto essa realidade e disparou no twitter, “Tem 3 semanas que venho em Brasília para trabalhar e nada acontece. E olha que estamos em ano de eleição’’, ele também questionou, “Ou será que o ano só vai começar depois do carnaval?"
Clima de carnaval na Câmara dos Deputados (Foto:
Tales Faria)
Alguns políticos trabalham na véspera do carnaval, vocês devem estar pensando: “Nossa, esses trabalham, me fala o nome dele que na próxima eleição eu vou votar”. Mas, na verdade, há grandes chances deles serem oportunistas. Os “espertinhos” aproveitam uma das poucas alegrias do povo para aprovar projetos de interesses próprio nesta data, afinal o brasileiro está tão feliz que nem vai se importar. Eu digo mais, às vezes, nem ficamos sabendo, confesso que deixei de acessar portais e noticiários televisivos durante o carnaval após ter dificuldade em achar outra coisa que não seja sobre a folia pelo país.

 Se os políticos são nossos representantes, eles levam o que tem de melhor e pior dos brasileiros. Pois então, nós não podemos nos vangloriar, temos um jeitinho típico de prolongar um feriado, adiar uma dieta, deixar para procurar um emprego após o carnaval ou até mesmo adiar o começo dos compromissos feitos nos minutos finais do ano velho. Não é justo nos eximir da culpa e creditá-la apenas aos políticos.

 Se você, cidadão comum, quer ter uma vida que os projetos pessoais e profissionais começam só depois do carnaval, cuidado! Você não é político que veste a máscara da burocracia e descaso da sociedade a favor de si próprio. Nem um empresário que lucrou o suficiente para usufruir com mordomia. Assim como eu e vocês, o ano deve começar exatamente no começo do ano. Férias e descanso todo mundo tem direito, principalmente nesse período. Mas também é um excelente momento para se profissionalizar com um curso extra, procurar um emprego melhor, exercitar o corpo, ou seja, fazer algo em um período que muitos consideram perdido.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Uma realidade que vem à tona com o carnaval



A Polícia Rodoviária Federal (PRF) dará início amanhã (17) a “operação carnaval” em todas as estradas federais do país. Este ano, nove helicópteros darão apoio às equipes em terra. Além disso, cartões postais serão distribuídos comparando o poder letal de uma arma ao de uma pessoa que conduz um veículo de forma irresponsável. O objetivo da operação é coibir abusos dos motoristas e aumentar a segurança nas estradas durante a maior festa popular do País.
PRF usa cartão-postal para alertar motorista durante carnaval (fonte: folha.com)

Todo ano é a mesma coisa, notícias do tipo “amigos voltavam de uma noitada de carnaval quando o veículo com os foliões se envolveu em um acidente”. Infelizmente, esse tipo de história é um clichê. Lembro-me ter ouvido em um noticiário em algum carnaval passado a expectativa de mortes nas rodovias durante o carnaval que iria começar. Confesso que me senti mal com isso, primeiro uma angústia de saber que vidas seriam perdidas para construir essa triste estatística, segundo um questionamento, será que o necessário para mudar essa realidade está sendo feito?

Boa parte dos acidentes envolvendo automóveis está ligada entre a relação álcool e direção. Para isso, a Lei Seca entrou em vigor em 2009 prometendo reduzir o número de embriagados ao volante. Dados mostram uma diminuição dos números de acidentes, mas essa redução pode ser muito maior. Por exemplo, neste carnaval o Detran do Estado do Amazonas terá blitzen com exames do bafômetro obrigatório. Há uma proposta do governo federal que pretende tornar essa obrigação permanente e nacional. Sem dúvida, é um caminho possível.




Mas o que eu posso fazer?

Recentemente, sites e contas em redes sociais são acusados em alertarem sobre blitzen policiais. Pensem comigo, quem apoia e divulga esse tipo de aviso pode contribuir para um acidente, pois um infrator pode desviar do trajeto ao saber da existência da barreira policial e ficar livre para provocar um acidente em outra via, simples assim.

Bom, aquele sentimento de angústia em relação às previsões de mortes no carnaval pode ser amenizado só de saber que eu repudio e vou denunciar esse tipo de alerta. É uma opção que eu tenho para não ficar parado e ver as tristes estatísticas durante todo o ano. No mais, tenham um bom feriado e pulem o carnaval com responsabilidade.

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